segunda-feira, 19 de outubro de 2015

LONDRES: PRIMEIRO DIA

Londres agora!
Cheguei em Londres perto de meio-dia. Era como estar no aeroporto de São Paulo – uma enorme fila para achar um taxi. Perguntei: onde acho um taxi. O guarda disse – siga as pegadas amarelas. O que eu fiz, mas tive que esperar um tempão na fila. Os taxis são fantásticos. São anúncios ambulantes e muito interessantes. Tenho algumas fotos mas não de todos que vi.
Um dos inúmeros taxis-propaganda.
Cheguei em Chepstow Villas – o motorista sabia exatamente onde era. Tinha um pequeno problema. Não sabia o número exato da casa que tínhamos alugado pela Internet e pensava que era Chepstow Villas 62. Os motoristas de taxis em Londres tem que conhecer pelo menos 75% da cidade para ter a licença. Por isso sabem tudo de todas as ruas sem GPS.





Subi os degraus com a minha bagagem, sempre maior do que penso, e toquei a campainha. Ninguém atendeu e lá estava eu esperando. Finalmente uma senhora chegou e perguntou o que estava fazendo ali. Falei: nós alugamos um apartamento e estou esperando pela dona. Ela falou: não conheço ninguém alugando apartamentos aqui. Acho que você está errada. Falei, pode ser. Não tinha o endereço escrito comigo (lembrem-se de que não tinha Internet em Birmingham). Daí? Seria uma fraude? Estaria errada?

Essa não era a casa certa.

Enquanto esperava essa mesma senhora inglesa apareceu e me perguntou se queria esperar com ela, na sua própria casa. Impressionante. Acho que sempre tenho sorte quando encontro pessoas. Talvez tenha um sorriso que traduza confiança.
E minhas malas na porta.
Liguei para Jan, que estava no avião, esperando para voar (ele perdeu o vôo e estava atrasado). Que falou: o número é 53. Tem certeza?
Deixe confirmar e eu lhe telefono. Finalmente era o número 58, a casa era cor-de-rosa e não branca como pensava e a dona estava lá, esperando por nós. Mrs. Hillary Little. 
Uma simpática inglesa que me levou para conhecer a casa e ensinar todos os pequenos segredos: portas, janelas, água, aquecimento, banheiro. A casa tinha tudo e era exatamente como nas fotos.

A casa era a cor-de-rosa.

Chepstow Villas, Notting Hill, London.
Um lindo lugar com um jardim inglês e muito agradável. Quase na esquina com Portobello Road, a rua dos antiquários e da feira aos sábados. Sabe, é meio decepcionante num dia comum. Algumas lojas abertas, outras não, e só uma pequena rua com restaurantes e lojas funcionando.

Portobello Road.

O colorido das lojas.


O bairro e seus encantos.
Não como me lembrava quando estiva lá num sábado, com uma multidão de pessoas andando e uma enorme quantidade de barracas e de ruas cheias de atividade. Fiquei lá meio impaciente, esperando por Jan que não chegava. Ainda não sabia que ele estava atrasado. Andando em volta, na casa, literalmente bestando. Passeando nas ruas também e olhando os antiquários. Alice's, essa lojinha vermelha da fotografia é um antiquário que manda artigos para o mundo inteiro e tem um briquabraque (bric-à-brac em francês, bric-a-brac em inglês) de louças, objetos, latas, caixotes antigos e coisas especiais para jardins.
Finalmente Jan chegou, acho que perto de 6:30. Já estava batendo na porta da casa quando percebi e saí na rua. Vale dizer que tínhamos que descer alguns degraus para o apartamento. Talvez oito degraus. Mas o jardim estava lá e valia a temporada.
Da janela da sala a vista da rua.
Jan chegou e falou – you look good!
Me senti realizada e feliz. You look good, depois de meses falando só por telefone e internet, derreteu meu coração e minha alma. Mais do se fosse eu lhe amo. Estávamos realmente em Chepstow Villas, numa casa pequena mas confortável, realizando um sonho, na esquina de Portobello Road, em Notting Hill. Lembram do filme? Dos locais, do romantismo implícito, da atmosfera? Estava me sentindo assim. Perfeita, feliz, risonha… O que mais?
Esperei tanto por essas férias. As vezes pensava que alguma coisa ia acontecer de errado. Mas não. Era tudo perfeitamente real e maravilhoso. Estava mais feliz que Julia Roberts! O filme traduzido no Brasil para "Um lugar chamado Notting Hill".
Primeira coisa: sentar no jardim e deixar Jan fumar. Que jardim bonito!
Nosso jardim de sonho.
Depois de muitas conversas, depois de arrumar as roupas. Na verdade ele arrumou o quarto. Eu deixei minhas roupas na mala, num lugar estreito. A casa era pequena e sempre tínhamos que afastar os móveis e os sofás para passar de um canto para outro. Tínhamos música. Tom Jobim, Noel Rosa, Nelson Freyre tocando Lizst. Que comprei em Birmingham, na loja do Synphony Hall. E nosso lugar na mesa. Temperatura boa sempre.
Paulinho: você tinha razão e Noel Rosa foi fantástico para ouvir lá.


Nossa sala, nosso lar em Londres.

O quarto romântico dando para o pequeno jardim.
Saímos andando para explorar um pouco Portobello Road, exatamente na esquina. Como o tráfico é louco. Você tem que olhar para o outro lado, diferente do Brasil e do resto do mundo, e os carros podem fazer uma volta completa nas esquinas. Ainda bem que eles dizem  - olhe para a direita, ou olhe para a esquerda, prefiro olhar para os dois lados.
Andamos até o final da rua. Eu estava frustrada com minhas memórias dessa rua e Jan com o que ele tinha lido sobre o local – cinco quarteirões de tendas aos sábados, mas havia apenas um. No fim da rua voltamos para um restaurante – Portobello Gold, mas também Oyster Bar. Oyster Bar está citado no Michelin Guide como um dos melhores restaurantes em Londres. Era um pub com um super agradável restaurante ao fundo, num jardim. Com simpáticos garçons e garçonetes. Falando o inglês de Londres e sempre dizendo – thank you, Sir.
Pedi ostras – uma dúzia, carneiro para Jan, que adorou o prato, uma garrafa de vinho tinto da casa. E uma sobremesa soberba – um prato de queijos ingleses.
Queijos de sobremesa.
Fantástico jantar. Jan fez uma reserva para o sábado, o dia antes da partida. 
O dono era uma espécie de repórter e tinha acompanhado os Beatles para os Estados Unidos na primeira e última tournée deles lá. Tinha fotos e podia até vendê-las. Mas a que vi era a foto de um estádio com os Beatles tão pequenos como moscas. Sempre pensei em ir lá ver o que eles tinham para vender. Mas nunca lembrei. Pensei em João, meu neto, e seu amor pelos Beatles. Esqueci. Mas esse se tornou nosso restaurante preferido em Notting Hill. Fomos lá pelo menos três vezes. Gostamos de repetir os lugares onde nos sentimos bem.
Jan Kremer no restaurante em Portobello Road.

Eu toda feliz e risonha.













Esse foi nosso primeiro dia. Depois do restaurante um bocado de conversa. Minha voz estava péssima, desde o jantar da Siemens em Birmingham. Mas não podia fazer nada. De modo que era só falar nessa voz rouca e tossir de noite. Nesse dia tossi como quando estava em Boston. O clima é seco com o aquecedor e isso me faz sentir cócegas na garganta e me faz tossir…





A única memória ruim desse lugar fantástico que é Notting Hill, London.

Podem perguntar por que Notting Hill. Primeiro porque estava na Inglaterra e Jan não quis me encontrar em Birmingham. Segundo acho que foi uma ideia romântica baseada na aura do filme que ele não gosta. Antes da viagem vi o filme algumas vezes para sentir a atmosfera da cidade. Também li sobre o local que já tinha visitado muitos anos antes.
Notting Hill fica no distrito de Kensigton e Chelsea, bem pertinho do centro da cidade, com uma estação de metrô bem perto, a Notting Hill Gate. É um lugar adorável que no final dos anos 80 virou um antro de boutiques, lojas e restaurantes da moda. Ganhou fama também com o filme de Hugh Grant e Julia Roberts de 1998, em que ele é dono de uma lojinha de livros de viagem, que existe no local, e ela uma famosa atriz americana. 


Nosso restaurante Portobello Gold Oyster Bar tem uma bela decoração, estilo pub e as mesas estão num salão com vistas para um jardim onde até há bananeiras. A famosa foto dos Beatles foi tirada pelo proprietário Michael Bell. Sua esposa é especialista em vinhos. O local também funciona como hotel e como galeria.

Fachada do Portobello Gold.

Interior/ pub.
A famosa foto dos Beatles.

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