domingo, 18 de outubro de 2015

DE BIRMINGHAM PARA ARNHEM EM 2011

Estou escrevendo de Arnhem, nos idos de 2011, chegando na Holanda depois de um congresso em Birmingham, Inglaterra. Os congressos europeus são sempre uma boa razão para encontrar Jan. Na realidade nosso encontro aconteceu em Londres, em Notting Hill, quase na esquina com Portobelo Road, onde alugamos uma casa por quase uma semana.
Victoria Square, Birmingham.
Mas antes de Londres estive em Birmingham, a segunda cidade mais importante do Reino Unido e um desenvolvido centro industrial. Birmingham é uma cidade muito mais bonita do que eu pensava. Cheguei lá depois de uma longa viagem e depois de dois aeroportos. Primeiro Lisboa e depois Bruxelas. Finalmente Birmingham.




No taxi, do aeroporto para o hotel.


Primeira coisa que notei é que os motoristas de taxi são simpáticos. Mas, cuidado, eles podem lhe roubar.
Também ninguém usa euros, somente libras (pounds) e isso eu não sabia. Paguei duas vezes o preço em euros no primeiro taxi do aeroporto em vez de somente um terço a mais!
Nunca chegue em Londres ou qualquer cidade do Reino Unido sem pounds. E nunca troque dinheiro no aeroporto, só uma pequena quantia para o táxi. Nas casas de câmbio a troca é bem melhor.

Recepção do hotel em Birmingham.
O hotel era três estrelas, mas bem agradável, com um quarto fora, dando para um pátio (cold of course) mas com lugar para a mala e para o resto de mim e de meus pertences.
Todos os quartos voltados para uma área central.
Água fria, sem aquecimento. Estavam consertando. 
Segundo problema: para carregar equipamentos precisava de adaptadores. 







Não tinha nenhum no hotel e eu tinha comprado um tipo universal no aeroporto. Um adaptador universal. 
Para ligar na tomada, não para adaptar uma tomada de três pinos como o Mac tem. Funcionou perfeitamente para minha câmara fotográfica e para meu celular. Que está sempre mudo, coitado. 


A porta do meu quarto.
Aqui, em Arnhem, tenho um celular holandês. Isso Jan providenciou para mim. Assim podemos falar a custo local. Vou até mandar meu número.
Congresso Europeu de Medicina Nuclear, 2011.
Bom, resolvi ir ao congresso, descobrir onde era o lugar. E era um enorme e bonito centro de convenções junto ao Symphony Hall com mais alguns restaurantes e lojas. Tive que achar o local perguntando ao motorista de taxi qual era o centro de convenções mais importante. Sempre viajo perdida e sem os papéis necessários ou eles estão comigo sim, mas escondidos em algum lugar. 
ICC, Birmingham, entrada principal.
Symphony Hall, anexo ao ICC.










O local do congresso era o International Convention Center, abreviado ICC, realmente o maior centro de convenções da cidade, que hoje baseia sua economia também em turismo de convenções. Esse centro abriga o Symphony Hall e tem um arquitetura bela, moderna e funcional. A entrada principal na Centenary Square anunciava o congresso. Uma outra entrada leva aos canais de Birmingham e atravessando o canal ao Convention Quarter onde se localizava a exposição comercial.


Estava vazio naquela tarde e só abriria no dia seguinte. Daí fui a um restaurante italiano, onde comi muito bem e tomei um copo de vinho da casa. Nesse local os garçons falavam português ou espanhol e fizeram questão de conversar um pouco. Foi bom porque a garçonete me trouxe um Limoncello como um drink de boas vindas.
Belíssimo centro de convenções.

Observem o moderno, as cores, a leveza.

Dentro do enorme ICC.
Depois foi só congresso. Um enorme congresso. Entre 3.500 e 4.000 pessoas. Na realidade 5.426 participantes, contando com os expositores. Assisti muitas aulas boas sobre PET e Cardiologia Nuclear. Sobre patologia tireoidiana também, um simpósio com uma cirurgiã francesa e uma endocrinologista da Dinamarca. Muito boas as duas. Encontrei poucas pessoas conhecidas e alguns vinte brasileiros. Éramos ao todo 22 brasileiros. Mexicanos, nosso querido amigo Hans Biersack da Alemanha, espanhóis. Alguns que estavam em Recife no Congresso da Alasbimn (Associación Latinoamericana de Sociedades de Biologia y Medicina Nuclear) que tinha acabado de organizar em Recife, um pouco antes. Na área da exposição comercial todo mundo me chamava para elogiar o congresso em Recife. Estavam todos lá, de todas as empresas que se fizeram presentes em Recife. Não os brasileiros, que lá não estavam, exceto Sérgio Calvo da Siemens, mas que não mora no Brasil. Senti orgulho de mim mesma, maldita vaidade, mas na minha idade posso me permitir alguns pecados inocentes. Tenho que confessar também que o congresso em Recife além de uma excelente estrutura foi realizado no Summerville, um hotel resort próximo a Porto de Galinhas, numa estrutura tropical e de quase férias o que apaixona os participantes. Congressos são muito importantes pela parte científica mas também pela proximidade e convivência informal entre alunos e professores. Esse estreitamento de relações propicia uma enorme troca de conhecimentos e abre oportunidades, por exemplo, para treinamentos futuros nos melhores hospitais do mundo.
Atravessando a passarela sobre o canal para a área comercial.

Vista da passarela e do canal.
The Malt House no caminho.

O canal atrás do centro de convenções.
Em Birmingham, já outono, tínhamos que atravessar o canal, andando ao ar livre, expostos ao frio e às vezes à chuva, o que não era muito convidativo. Mas o caminho era lindo. The Malt House à beira do canal e próxima ao local do congresso é um tradicional pub em Birmingham servindo diferentes qualidades de cerveja local.






















No sábado de tarde andei um bocado também. A maior atração de Birmingham é um enorme shopping center – The Bullring. Todas as lojas de todos os shopping centers do mundo e quase tudo em sale. Não sou amante de compras em viagens. Prefiro explorar melhor a cidade.
Alguma festa típica (de ingleses I guess).

Nesse dia tinha uma festa no centro. Barracas de comida e pessoas cantando, grupos se apresentando, montes de crianças. A primeira música que um grupo de coral cantou foi “Cry me a River”. Pensei que coincidência! Mas na festa da Siemens a primeira música que a orquestra/ banda tocou foi também “Cry me  River”. Mais do que uma coincidência um reconhecimento da minha presença e de meu gosto musical? Boas vindas para uma viajante perdida?
"Cry me a River" é uma música predileta desde a adolescência, na voz de Julie London, quando meu pai participava de um grupo de jazz amador que se reunía aos sábados para tocar. Tocar pelo simples prazer de tocar.
Aproveitei para andar e fotografar o centro da cidade, uma linda área só para pedestres.
Victoria Square, Council House e a estátua que era uma fonte.
Nessa praça no topo de uma escadaria na frente do Council House, há uma fonte com uma escultura chamada "The River", mais conhecida como "The Floozie in the Jacuzzi."  Em 2013, por causa de vazamentos recurrentes e sem conserto a fonte foi desligada para economizar dinheiro público. Espantoso que essa preocupação existe em outras cidades e outros países que não o nosso triste Brasil. Em 2015 a fonte foi transformada num jardim. Nas bordas do tanque superior estão gravadas as seguintes palavras do poema "Burnt Norton" de T.S.Eliot:

"And the pool was filled with water of sunlight,
 And the lotos rose, quietly, quietly,
 The surface glittered out of heart of light,
 And they were behind us, reflected in the pool.
 Then a cloud passed, and the pool was empty."

Será que a escolha desse poema foi profética? Porque a fonte secou, não por causa de uma nuvem que passou mas pelo erro humano de engenharia. À esquerda está o Town Hall, uma sala usada para concertos, edifício construído no século XIX com um estilo inspirado na arquitetura romana, especificamente no templo de Castor e Pollux, filhos gêmeos de Zeus. Nesse local Charles Dickens fez leituras públicas e obras musicais de Elgar e de Mendelssohn tiveram lá a sua estreia. O Town Hall era a casa da Orquestra Sinfônica de Birmingham, até 1991 quando ela foi transferida para o Symphony Hall, no ICC. 
O prédio principal (Council House) abriga também uma galeria de arte com uma extensão acrescentada depois ligada ao prédio principal por ponte suspensa em estilo italiano.
Falo sempre de Lisboa como da cidade das ladeiras, uma a cada esquina. Birmingham é a cidades das estátuas e dos munumentos. Andando da praça central, a Victoria Square, até uma praça menor chamada de Chamberlain Square é notável o número de esculturas belas e originais que surgem a nossos olhos curiosos. 
Chamberlain Square.
Victoria Square, "The River".
Ao lado do edíficio principal (Council House) podemos notar duas pequenas pirâmides e na frente a escultura já descrita "The River" que hoje se transformou num jardim. Num outro lago abaixo uma outra escultura pode ser vista chamada "Youth". Essa escultura representa uma jovem e um jovem olhando um para o outro, buscando talvez a fonte da eterna juventude.
As duas esculturas e mais duas conhecidas como "Guardians" foram realizadas por um escultor indiano Dhruva Mistry que ganhou um concurso em 1990 para a renovação dessa praça. 
Victoria Square, "Youth", no lago de baixo.
Victoria Square, Council House, pirâmide à direita.

Pirâmide à esquerda e a fonte  "The River".

A Esfinge, na realidade "Guardian". 

Adorei os pombos na cabeça do guardião.

The Guardian.






Birmingham Town Hall, lembrando um templo romano.
Outro ângulo do Town Hall.




































Do lado da Chamberlain Square, continuando o grande edifício chamado Council House encontramos a torre do relógio, chamada de "Big Brum", uma brincadeira com o "Big Ben" londrino.
Brum é o termo local para a cidade, o povo e o dialeto. Os sinos soam de forma similar ao Big Ben.
Como a Victoria Square é uma homenagem à Rainha Victoria, a Chamberlain Square é uma homenagem a Joseph Chamberlain, personagem importante na cidade e membro do parlamento.
A torre-monumento.
Chamberlain Square e o monumento a Joseph Chamberlain.


       O relógio e a torre: "Big Brum".

Falei tanto da Victoria Square e não mostrei a estátua da Rainha que fotografei de costas. A estátua originalmente de mármore, esculpida por Thomas Brock, foi inaugurada em 10 de janeiro de 1901, doze dias antes da sua morte. Da morte da rainha. Atualmente a estátua é em bronze, tendo o mármore sido coberto por bronze em 1951.

A Rainha Vitória de costas para a Council House.
Comi sempre bem, como sempre como na Europa, em pequenos restaurantes franceses ou italianos. Pelo menos duas sopas de cebola perfeitas.  Uma taça de vinho, por favor.

St. Martin's Church.
Sempre frequentava um dos restaurantes próximos a essa linda igreja, St. Martin's Church, próxima ao Bullring e ao moderno prédio da Selfridges. Esse é o coração da cidade e próximo ao centro de convenções de modo que gostava de caminhar como é o costume europeu.
A igreja é do século XIII, sofreu várias reformas ao longo dos séculos e como toda igreja que se preze tem um órgão. Não posso dizer isso das igrejas brasileiras, infelizmente.
No domingo de noite fui ao jantar da Siemens. Os brasileiros foram à festa da IBA, que também me convidou, claro. Um jantar excelente num museu de motocicletas interessante mas com um cheiro de mofo que me deu uma gripe e me deixou sem voz por uns oito dias. Um programa especial para motoqueiros como meu querido Jan. National Motorcycle Museum.
Foto do Museu.


Muito lindinha.





























Brasileiros da Medicina Nuclear num pub.

Só ontem minha voz voltou ao normal. Pelo menos foi uma gripe só de rouquidão e não senti mais nada. Na segunda de noite fomos a um pub – uns quinze brasileiros. E foi muito bom. Tomei cerveja belga Duvel e também comi muito bem.
Cerveja Duvel.


Delicioso!

Bela confraternização em Birmingham.
Na terça fiz a mais estranha viagem da minha vida – de Birmingham para Londres com escala. Um vôo para Jersey – uma das ilhas do canal – Channel Islands – e depois para o Gatewick em Londres. Pelo menos foram vôos bonitos vendo a costa e o mar dessa região.
Isso é mesmo um diário? Parece. Mas vai ser bom para me lembrar dos detalhes.
Tenho várias fotos da cidade e postais para Bina, como sempre. Um dedal de Birmingham, da coleção que Luciana começou para mim. Ah, em Bimingham o cara queria que pagasse 30 pounds para levar uma mala e eu disse que não porque esse trecho fazia parte de uma viagem internacional. Finalmente o cara ligou para alguém e disse – a senhora tem razão. Pode colocar dois volumes de graça.
São 7:30 da manhã e está tão escuro como se fosse noite. E fez 4 graus à noite. Foi a noite mais fria desse período. Com o aquecimento não há problema em casa e adoro um pequeno aquecedor que Jan tem no banheiro!!!!

As fotos abaixo ainda de Birmingham incluem a estátua de bronze dourado de Matthew Boulton, James Watt e William Murdoch, realizada por William Bloye e Raymond Forbes-Kings inaugurada em 1954. Conhecida localmente como "The Golden Boys" ou "The Carpet Salesmen". Uma homenagem prestada pelo desenvolvimento das máquinas a vapor.  No meu caminho para o hotel tinha essa estátua todo dia, já que estátuas não andam. Andava eu como ainda ando.
A outra foto é a impressão da pata de um cachorro chamado Ebony que ajudou seu dono operário na reforma da praça Victoria Square. Fica próxima à estátua da rainha Vitória e não é muito fácil de achar. O cachorro amigo e fiel ajudava seu dono carregando suas ferramentas todo dia.
Estátua de Boulton, Watt e Murdoch (Birmingham).
Ebony, o cachorrinho ajudante de pedreiro.


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