sábado, 31 de outubro de 2015

LONDRES: QUARTO DIA

Esse foi o dia da cultura. Nosso primeiro programa foi visitar a Tate Modern Gallery e de noite já tínhamos os tickets para o concerto da igreja.
Foi um dos dias mais bonitos nessa viagem a Londres. Chegamos por metrô numa parte bem antiga da cidade. Não sabíamos de que lado do Tâmisa estávamos. Afinal é uma cidade feita para tatus e quando saímos do metrô não sabemos onde estamos se não conhecemos a cidade. Perguntamos a uma das poucas londrinas que encontramos e ela, que não sabia também, pegou o i-phone e procurou no Google Map o endereço para nos ensinar. Impressionante como foram sempre simpáticos os ingleses que encontramos, em qualquer lugar.
Southwark Cathedral.
Outra vista da catedral contra o céu azul desse dia.
A primeira construção que chamou nossa atenção foi uma catedral, a Southwark Cathedral, uma velha igreja, talvez a primeira nessa região, logo ao sul da London Bridge. Segundo a tradição oral havia ali uma comunidade de freiras, possivelmente já no século VII. No século IX o Bispo de Winchester substituiu as freiras por padres. A primeira referência escrita é de 1086. Verdade que estou falando em datas tão antigas? Claro, a catedral que a gente viu não é essa ancestral mas sim as reformas realizadas a partir do século XIX quando a região tinha condições péssimas de vida, como foi bem retratado nos romances de Charles Dickens e nas pesquisas sociológicas de Charles Booth. Nessa época mais antiga a igreja era chamada de Saint Saviour's Church. Tornou-se catedral de Southwark em 1905.
A fachada da catedral.




















Na realidade a catedral está na margem sul do Tâmisa bem perto da London Bridge. A construção conserva a forma gótica de sua estrutura antiga dos séculos XIII e XV, embora refeita , como já falei, em fins do século XIX.

Jan Kremer em nosso passeio.
Continuamos a andar felizes numa das partes mais antigas de Londres, sempre pelo cais, avistando a London Bridge na paisagem.
E nesse caminho, por ruas estreitas, vimos um estranho navio, a reconstrução do Golden Hinde II, o navio de Sir Francis Drake, usado na circunavegação do globo entre 1577 e 1580. Não sabíamos que havia um passeio, com viagens interativas e atores vestidos como na época. Não somos realmente turistas convictos e andamos ao sabor dos ventos. Acho que sabia do navio com Pelican, não com esse nome dado em homenagem ao patrono da aventura.

The Golden Hinde II para turista.


Caminhos estreitos.



















Parede remanescente do palácio.

Passamos na prisão mais antiga da cidade, com ainda uma parede de pé. A mais velha e mais notória prisão medieval fica nessa região chamada The Clink funcionou desde o século XII até o século XVIII, mais precisamente 1780. É também um museu aberto a visitações. A prisão era bem próxima ao palácio de Winchester, palácio do Bispo de Winchester. O nome "The Clink" provavelmente se origina do som das fechaduras de metal das celas ou das correntes de metal dos presos se arrastando.
Winchester Palace - placa explicativa.
















Na realidade a parede em pé não é da prisão mas do palácio de Winchester. Isso não sabia no primeiro momento de escrever diários de viagens, mas agora reconstituindo nossos passos e revendo todas as fotos. Essa bela parede é remanescente do grande "hall" do Winchester Palace mostrando a "Rose Window", janela em forma de rosácea, e o arranjo habitual na época das três portas das passagens para a cozinha, adega e despensa. Esse era o palácio do sempre todo poderoso bispo de Winchester. A cidade de Winchester foi capital para reis saxônicos da Inglaterra nessas velhas eras.
O palácio foi destruído pelo fogo em 1814 sobrando parte da grande entrada com essa janela redondosa especialmente bela, provavelmente erigida no sécuo XIV. Essa área tinha passagem direta para o rio Tâmisa, proporcionando a entrega fácil de suprimentos para as comedorias sacras palacianas.

A parede e a rua estreita. 

The Rose Window.
















Fachada da Tate Modern Gallery.
Continuando nossa caminhada pela margem sul do Tâmisa, pela região antiga chamada de London Borough of Southwark, cheia desses prédios instigantes, chegamos enfim ao nosso destino: a Tate Modern Gallery. Uma construção moderna num prédio antigo, com uma enorme área livre na beira do rio, montes de estudantes e uma ponte somente para pedestres para atravessar o Tâmisa. Foi uma pena que não pegamos um barco para um passeio, mas estava sempre frio e ventando, apesar do céu azul.  Situada na margem do rio Tâmisa oposta à catedral de Saint Paul, cuja abóbada descortinamos na paisagem. O prédio antigo era a sede da Bankside Power Station. Faz parte do Tate Group, constituído pela Tate Britain, Tate Liverpool, Tate St. Ives e Tate Online.
O prédio original foi construído emtre 1947 e 1963 e fechado em 1981. Em 1994 foi realizado um concurso para a construção no local da nova galeria Tate para abrigar a coleção sempre em expansão de arte moderna e conteporânea. Os arquitetos vencedores Herzog & de Meuron apresentaram um projeto de reaproveitamento do prédio antigo, reinventando seus espaços. Um exemplo de uso adaptativo de construções antigas, em voga na Europa, inclusive para igrejas, o processo de encontrar nova vida para velhas construções. O prédio manté o estilo da fachada, piso de cimento e outras características da antiga fábrica.
As coleções dessa galeria datam de 1900 para cá, consistindo de arte moderna internacional e conteporânea.
Querendo ser londrina.

Na galeria pegamos um sistema de audiovisual/ multimedia, que explica várias das obras expostas. Todos pintores modernos a partir de Picasso, Modigliani, Munch. Alguns que não conhecia e algumas coisas que para nós não parece arte e lembra muito uma Bienal em São Paulo. São quatro andares, mas realmente dois valem a visita.
O sistema de audio é excelente, porque temos conhecimento da descrição de cada obra, do estilo, de alguma história do autor e às vezes até dos esboços iniciais daquele trabalho ou suas referêcias de inspiração. Um andar tem exposições especiais de artistas contemporâneos.
Sunglower Seeds 2010, Ai Weiwei.
















Dos artistas contemporâneos Jan queria especialmente ver a obra de Ai Weiwei. Estranho, não sabia nada sobre ele e a obra exposta se chamava Sunflower Seeds 2010, um trabalho realizado com dez toneladas de sementes de procelana de girassol, aproximadmente oito milhões delas, feitas manualmente por artesões. O projeto chamado Ai Weiwei's comission for The Unilever Series esteve em exposição no "Turbine Hall"entre outubro de 2010 e maio de 2011. A obra exposta e comprada pela galeria compreendia apenas um décimo das sementes, dez metros cúbicos delas arranjadas numa escultura de forma cônica. Nessa forma foi exposta entre junho de 2011 e fevereiro de 2012. Pode ter outras apresentações. A obra faz referência à revolução cultural chinesa quando a propaganda considerava Mao o sol sendo a massa do povo girassóis voltados para a luz, para ele.
Ai Weiwei.
Outro significado era compartilhar essas sementes com um gesto de compaixão numa fase de pobreza extrema e incertezas. Também sugeria a produção chinesa em massa chamando a atenção para o "made in China". Como jornalista e muito bem informado Jan estava a par dessa arte quase social e cheia de crítica humanística. Ai Weiwei nascido na China em 1957 é conhecido pela suas refer6encias metafóricas, pelo humor e ironia política no seu trabalho artístico.
Liberty is about the right to question everything, sua frase na apresentação da obra.





O café tem uma varanda externa com uma linda vista para o rio.
No café encantados com tudo.
















Na realidade esperava bem mais dessa galeria, que tem apenas três Picassos, um Modiagliani, um Diego Rivera, um Munch. Acho que o MASP tem uma coleção própria melhor. Mas o antigo Tate nós dois conhecíamos.
Foto da antiga fábrica, hoje galeria.


A pombinha prosaica no café.
Área externa à margem do Tâmisa.
A outra margem do rio.
Southwark Bridge, River Thames. 
A cúpula da catedral de Saint Paul no outro lado do rio.

Atravessando a Millenium Bridge.
 Atravessamos o rio pela ponte de pedestres, em frente à catedral de Saint Paul, a "The Millenium Bridge", que liga o Bankside onde estávamos à City of London. Foi aberta em junho de 2000, projeto do arquiteto Norman Foster, uma ponte suspensa , feita em aço, mas que foi apelidade pelos ingleses de "Woobbly Bridge", pela instabilidade no início. Essa ponte trêmula não experimentamos porque seus porblemas estruturasi foram corrigidos e a ponte reaberta em 2012.
É uma sensação espetacular atravessar essa ponte. Gosto de verdade desse constraste entre o velho e o novo e das intervenções de bom gosto qu vejo nas cidades da Europa.
Chegamos então na catedral de São Paulo com sua majestosa cúpula. Imponente. Formosa.
Estava fechada à visitação nesse dia por causa de um movimento de protestos contra o capitalismo, no in;icio da crise financeira da Europa.




A cúpula da catedral.

Protestos em Londres: Capitalism is Crisis.
Outra foto.
A bela cúpula.



Um taxi londrino. Cada um é um taxi londrino. Adoro.

Um taxi londrino é um taxi. Único.
Depois de um lanche.
Fomos então andar e descobrir onde era a igreja de Saint Martin-of-the-Fields. Seguindo um guia mostrando o perfil da igreja com essa torre pontuda, gótica de muitas igrejas da Europa.
Nunca imaginei que Londres tivesse tantas igrejas. Cada torre pensávamos: é ela. E não era. Antes do grande incêndio de 1666, a City of London, o distrito financeiro, chamado também Square Mile, possuía um número incrível de aproximadamente 100 igrejas. Das 86 destruídas pelo fogo, 51 foram reconstruídas, a maioria por arquitetos associados a Christopher Wren, o criador da catedral de Saint Paul.
The Royal Couts of Justice.





















A bela fachada com uma "Rose Window". 
Acho que andamos mais nesse dia do que no “walking day”. Não sei quantas estações de metrô até Trafalgar Square onde fica a igreja, na frente de Charing Cross Station. É fantástico como reconhecemos os nomes dos lugares, muito por causa de Sherlock Holmes e Poirot. Os nomes são os mesmos. No caminho encontramos uma Mac Donalds para um enorme hamburger (para Jan) e batatas fritas para mim.






Sempre caminhando e fotografando.
A MacDonalds entrou nesse circuito histórico pela fome e porque Jan adora hambúrgueres. Andamos pela Strand. Uma rua chamada Strand ou the Strand tinha que estar em Londres. O começo dela em Trafalgar Square realmente foi o nosso final de estrada. O nome vem do inglês antigo e significa praia, costa, margem de rio. A Strand atual segue o percurso da antiga Akeman Street, estrada romana que corria paralelamente ao rio. Na idade média era a principal rota de ligação entre a cidade de Londres (City of London), centro comercial e civil da Inglaterra e a cidade de Westminster, centro político nacional. Incrível como seguimos os caminhos antigos e usuais desdes priscas eras.
No caminho também paramos para fotografar o edifício palácio da Justiça (The Royal Courts of Justice). O estilo é gótico vitoriano e a construção data de 1882.
St. Mary le Strand.
Nesse andar pensamos: a igreja finalmente. E não era. Era uma igreja sim, a igreja de St. Mary le Strand. Sua fundação data do século XIII, dedicada à St. Mary and the Innocents, mas a construção vista atualmente é do século XVIII. Quase foi demolida no século passado, século XX, para permitir o alargamento da Strand. A igreja fica realmente num estreitamento fenomenal da avenida, quase no meio da rua, o que gera sua especial beleza, com uma fachada de ornamentação barroca. Ainda no caminho paramos para fotos na frente do Hotel Savoy.
Afinal quem não tem esse famoso hotel na imaginação? Quem não sabe que esse é também um símbolo de luxo nessa cidade espetacular, gloriosa, original, tradicional, cheia de histórias e estórias, moderna nas ideias e culturalmente efervescente?





O Hotel Savoy também fica na Strand e data de 1889. Foi o primeiro do grupo Savoy, construído por Richard D'Oyly Carte, primeiro hotel de luxo britânico, moderno porque introduziu luz elétrica, elevadores movidos a eletricidade, banheiros em quase todos os quartos, água corrente quente e fria nas suas torneiras. César Ritz foi seu gerente, fundador depois de outra cadeia de hotéis de luxo. 
O Savoy sob sua reg6encia foi um sucesso imediato com uma clientela famosa, sucesso atribuído ao gênio de César Ritz e seu brilhante chef, Auguste Escoffier, que apresentou aos ingleses a culinária francesa, incluindo aí a famosa sobremesa Pêche Melba. Por curiosidade esse prato foi criado para a soprano australiana Nellie Melba. 

Uma foto querendo ser famosa.

A anterior com passantes curiosos.

St. Martin-of-the-Field.
Finalmente a igreja. Tão excitada que nem fotografei. Essa foto é da Wikipédia.
Fomos até a igreja pegar os tickets – Jan Kremer - com um endereço londrino. Voltamos para casa e esperamos para a hora do concerto. Sabiamente porque poderíamos ter nos perdido. Se não tivéssemos ido lá certamente não chegaríamos a tempo.
Essa é uma igreja anglicana também dedicada a Saint martin of Tours, desde o período medieval. O prédio atual foi erguido num estilo neoclássico, projeto de James Gibbs entre 1722 e 1726.
Para mim essa igreja era símbolo de Sir Neville Marriner da Academy of St.Martin-in-the Field, símbolo de música de câmara barroca num dos tons mais vibrantes e alegres que já ouvi. O grupo tem esse nome por causa da igreja onde o primeiro concerto foi realizado em 13 de novembro de 1959.
Escavações na igreja em 2006 descobriram uma tumba romana de 410 AD (Anno Domini, em português, DC), interessante porque amplia os domínios romanos em Londres e refere a igreja a um sítio cristão, provavelmente um templo pagão anteriormente.
A história de londres cansa de tantas datas e acontecimentos antigos.
A igreja é muito visitada pelos seus concertos na hora do almoço ou à noite, algumas vezes à luz de velas, em geral com o "The Academy of St. Martin-in-the-Fields Chamber Ensemble", grupo considerado um dos melhores do mundo.
Cripta-café da igreja St.Martin-in-the-Field.
Falando do uso moderno de espaços é notável saber do uso contínuo de uma igreja como sede de concertos, vários por dia. E um exemplo ainda mais curioso é a cripta da igreja, masi que bela, mais que perfeita, que hospeda um café e concertos de jazz.








Já mandei o programa do concerto mas foi uma pena que pela primeira vez não tinha minha inseparável câmera para registrar o espetáculo, a igreja, as pessoas, a orquestra, as velas acesas de verdade no altar. Foi maravilhoso, retumbante, espetacular.
Um dia inesquecível, um concerto inesquecível no qual pensei o tempo todo em vocês e em Ana e Rafael que sempre organizaram concertos em igrejas. O Ensemble de Londres faz uma enorme quantidade de concertos por ano, alguns de graça na hora do almoço, alguns à noite à luz de velas. Sempre barrocos. No próximo está programado Bach, três dos concertos de Brandeburgo. Pena que não estaríamos mais lá.
Pena que acabou antes da hora de acabar, quer dizer, o tempo passou muito veloz.
Voltamos para outra noite – não encontro um adjetivo especial para outra noite em Londres. Outra noite londrina? Outra noite acolhedora? Outra noite nesse lugar de sonhos? Simplesmente outra noite registrada na memória para sempre.
Como agora, que depois de um jantar para um casal de amigos, estou sentada na minha secretária em Arnhem, ouvindo um concerto de Chopin enquanto Jan arruma a cozinha e se diverte com um politico bêbado dando entrevista numa rádio em holandês! Como é difícil entender algo dessa lingual gutural.
Espero que um dia possa entender melhor. Posso até ler um pouco, já não é sem sentido o que leio nas ruas, em revistas e jornais. Tem jornal de graça no metrô e em todo lugar.

Estou escrevendo detalhadamente apenas para não esquecer tudo que está acontecendo.

1 - Architects Herzog and de Meuron: Alchemy of Building & Tate Modern http://www.artfilms.co.uk/Detail.aspx?ItemID=2357

2 - Southwark Cathedral: do lado de fora dessa catedral anglicana encontra-se uma placa dizendo: "Na sua frente encontra-se a mais antiga igreja gótica em londres, reconstruída em 1212, depois que um incêndio danificou severamente a igreja, então no estilo normando. É um lugr de adoração há mais de 1400 anos, primeiramente como um convento saxão, provavelmente fundado no ano 606.





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

LONDRES - TERCEIRO DIA

Esse foi o nosso “walking day”. Não que não tivéssemos andado igualmente nos outros dias passados e futuros. Londres é andar e andar, descer escadas rolantes ou não e andar de metrô.
Harrod's, a fachada.

Jan Kremer, puro charme inglês.
Mas primeiro fomos a Harrods! Exatamente igual ao que lembrava dessa loja bonita e formal. Très chic! Jan comprou uma bolsa de viagem para colocar nas costas. Eu comprei um ursinho inglês da Harrods para Bruno, meu neto caçula carioca. Não ficamos de sessão em sessão olhando tudo. Subimos todos os andares, o hall egípcio mas não vi o memorial à Diana e a seu namorado. Acho que soube disso depois.
A Harrods é a mais luxuosa e exclusiva loja de departamentos do mundo, segundo os ingleses, localizada na rua Brompton Road em Knightsbridge. Pelo menos é a maior loja da capital inglesa. O lema da Harrods é Omnia Omnibus Ubique, que significa "All things for All People, Everywhere" ou todas as coisas para todas as pessoas em qualquer lugar" o que teoricamente é correto e democrático mas não verdadeiro. Qualidade sim, mas os preços condizem mais com a qualidade que com a popularidade. Sempre passeio na loja do aeroporto de Lisboa e pelo menos faço um lanche lá. Lembro da Harrods também pelo "Food Hall" com restaurantes de várias cozinhas de todo o mundo. Atualmente visito a loja pela Internet, já comprei alguns mimos lá e por isso recebo os catálogos sempre.
A loja existe desde 1834 e mudou-se para o local atual em 1849. Foi comprada em 1985 por Mohamed Al-Fayed por seiscentos e quinze milhões de libras e vendida em maio de 2010 por um e meio bilhões de libras ao grupo Qatar Holding. Lembrem que Dodi Fayed, filho de Mohamed era o namorado de Diana, princesa de Wales e em memória deles dois memoriais foram construídos. O primeiro na base da subida para o piso egípcio com foos do casal, uma anel de noivado e uma taça com marca do baton da princesa. O segundo bem mais bonito chamado de "Innocent Victims", uma estátua de bronze dos dois dançando numa praia sob as asas de um albatroz, um pássaro símbolo do Espírito Santo. Al-Fayed quis manter vivo o espírito dos dois jovens e trágicos enamorados.
"Innocent Victims", Diana e Dodi Fayed.





















As coincidências são engraçadas. Sentamos num café em frente a Harrods. O garçon era português e logo descobriu meu sotaque de brasileira. Não tinham mais pastéis de nata, que incrível, em Londres. Mas tinham um autêntico mil folhas francês. Adoro chocolate quente em na Europa. O sabor do leite e do chocolate e o quentinho que se espalha por dentro. O café é realmente bom nessa cidade e tínhamos café brasileiro forte em casa.
Como sempre acontece percebi que não tinha minha câmera, achados e perdidos de novo na Harrods, que cor é sua câmera, verde of course e pronto. Quando pensava de novo em perder todas as fotos de Londres tinha vontade de chorar. De novo porque quando estive em Londres nos idos dos anos setenta tiramos três rolos de fotos e perdemos todas as fotos, não enroladas corretamente na máquina nova. Seria de novo uma cidade sem imagem, só memória que não pode ser mostrada.
A ala de roupas em estilo egípcio. Bonito?







Saindo da loja e andando.


















Achados e perdidos, melhor achados (achei o perdido).


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

LONDRES SEGUNDO DIA

Fizemos mil planos. Acordar e visitar o British Museum e mais alguns lugares turísticos em Londres. De manhã sempre acordamos quase ao mesmo tempo e isso era perto de nove horas da manhã. Um café maravilhoso, feito numa máquina Expresso, o cheiro de café tomando esse lindo apartamento. Cheiro de cigarros também, já que Jan usa o jardim para fumar. Cheiro que não desgosto, ao qual já estou acostumada.
Saindo de nossa casa para o Notting Hill Gate.
Frio mas com perspectivas de sol. E o sol estava sempre presente, daí a temperatura ou a sensação térmica era muito, muito agradável.

Jan estudando mapas e planejando  o dia.
Fomos a Oxford Street e a Regent Street, depois de andar algumas quadras até o metrô Notting Hill Gate (underground, subway, tube como eles chamam em Londres). 
Saímos andando e estávamos em Waterloo Place ao pé da estátua de John First Lord Lawrence, vice-rei da Índia de 1864 a 1869. "How youngly he began to serve his country, how long continue". A frase tirada de Coriolanus, da peça de Shakespeare. Nada sei desse nobre senhor nem de suas bravuras. A foto foi mais estética e de lembranças. 
The Duke of York Column.
Da mesma maneira percorrendo nosso caminho fotografei o monumento ao Duke of York, the Duke of York Column. Os dois monumentos estão no local chamado de Waterloo Place and Gardens, esse especialmente localizado no ponto onde a Regent Street encontra The Mall. O Príncipe Frederick, duque de York, era o comandantechefe do exército britânico durante a guerras com a França no século XIXX. O duque é conhecido numa canção infantil meio satírica de suas lutas.










Adoro monumentos contra o céu e árvores.

Oh, the grand old Duke of York,

He had ten thousand men;
He marched them up to the top of the hill,
And he marched them down again.

And when they were up, they were up,
And when they were down, they were down,
And when they were only half-way up,
They were neither up nor down.







Andamos por quarterões de lindas lojas, troquei dinheiro com uma moça que falava português. Fomos tomar um café, num pequeno restaurante. Quem me atendeu falava português e era de Portugal. Me levou para conhecer uma garçonete brasileira de Goiás. Estávamos em Londres falando português. E Jan: eu não falo português, com aquele sotaque forte de estrangeiro.
Pastel de nata em Londres.

Delícia sempre, pastel de nata.
Descobri pastel de nata, exatamente aquele feito em Portugal. Daí comemos pastéis de nata (confesso que comi dois), ele com café, eu com chocolate quente, o que sempre gosto de pedir fora de casa.







Adoro andar pelas ruas de Londres, ver as pessoas passando, ver a moda, sempre de vanguarda, as lojas, os carros.  Fomos então para a beira do Tâmisa. Esse foi nosso “Thames Day”. 









De repente vimos o London Eye, a gigante roda-gigante na margem sul do Tâmisa, a mais alta da Europa mas não mais do mundo. Acho que é a terceira do mundo, atualmente patrocinada pela Coca-Cola.
Bem próximo fica o County Hall, um prédio que funcionou como sede do Conselho de londres e que abriga atualmente o Sea Life London Aquarium, entre outras atrações turísticas. 


Vimos as pontes, sem cruzar o rio, continuamos na margem sul e descobrimos a beleza das contruções que sediam o parlamento e o famoso Big Ben. 
London Eye na margem oposta do Tâmisa.
Jan Kremer e a paisagem.
Eu e a paisagem.

Waterloo Bridge.
The County Hall e o Sea Life Aquarium.















Westminster Hall, foto tirada por mim.
Caminhando chegamos ao Palácio de Westminster. Nesse palácio, também chamado de Houses of Parliament, funcionam as duas câmaras do parlamento do Reino Unido, a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns. Fica na margem norte do Tâmisa, exatamente no lado em que estávamos. A arquitetura é intricada, os edifícios existentes tem mais de mil salas e cem escadarias. A maior parte da construção data do século XIX, permanecendo originais dessa época o Westminster Hall (de 1097) e a Torre das Jóias (Jewel Tower).

O estilo é fenomenal, gótico perpendicular, parte do gótico inglês. Essa não é a foto mais conhecida do Parlamento, sempre fotografado da outra margem do Tâmisa. Por isso vimos por outro ângulo o Big Ben e as torres do palácio.
Na frente dessa construção vemos a estátua equestre de Ricardo Coração de Leão, conhecido como Richard the Lionheart, que reinou de 1189 a 1199. A escultura foi criada pelo Barão Carlo Marochetti, escultor italiano, no século XIX.
Westminster Hall, foto da Wikipédia.















Estátua de Ricardo Coração de Leão.















A Torre Vitória.

A torre mais alta desse complexo monumental é a Torre Vitória, com seus 98 metros de altura, situada no extremo Sudoeste do Palácio, chamada Vitória em homenagem à Rainha Vitória que reinava na época da reconstrução do palácio. A torre guarda os arquivos parlamentares. Na base da torre fica a entrada real para o palácio. E ao lado dela voltados para o rio Tâmisa ficam os jardins da Torre Vitória. Como adoramos parques e jardins e eles sempre fazem parte de nossas andanças claro que visitamos e tiramos fotos desse local.








A Torre Vitória fotografada dos jardins.
Victoria Tower's gardens e eu.
No meio do palácio ergue-se a Torre Central, de 91 metros de altura, uma torre de forma octogonal sobre a parte central do edifício, desenhada para funcionar como uma chaminé para eliminar o ar e a fumaça das lareiras e que diferente das outras tem um pináculo como cimo. Pináculo também significa o ponto mais alto. Uma outra torre menor, na frente do palácio, contém a entrada principal para a câmara dos Comuns, chamada de entrada de Santo Estevão.

No extremo noroeste do palácio fica então a torre mais famosa, a Torre Elizabeth ou Torre do Relógio, conhecida como Big Ben, que mede 96 metros de altura. Essa torre abriga o Grande Relógio de Westminster o Big Ben. Em cada um dos quatro lados da torre fica uma face do grande relógio facetado. O relógio foi desenhado por Augustus Pugin. A torre tem cinco sinos que constituem um carrilhão, que emite uma melodia a cada quarto de hora, chamada de Westminster Chimes, O mais famoso dos sinos é o Big Ben, o Grande Sino de Westminster, que toca a cada hora. 
Big Ben usado para designar a torre e o relógio na realidade é o nome do sino, em homenagem a Sir Benjamin Hall, ministro das obras públicas da inglaterra em 1859, cujo apelido era Big Ben por ser um sujeiro alto e corpulento.
Ainda a Victoria's Tower.




Um ângulo diferente do Big Ben.

Big Ben na torre do Relógio.
A torre do relógio.


Outro ângulo ou mais detalhes.








Queríamos entrar no parlamento, conversar com um dos pomposos guardas, fazer alguma pequena brincadeira. Claro, não pudemos entrar, nem fazer um guarda rir – afinal esse era um dos planos. Andamos um bocado. Vimos finalmente a Torre das Jóias (Jewel Tower). A torre foi construída pelo Rei Edward III entre 1365 e 1366 na parte sudoeste do castelo de Westminster e seu destino suntuoso era guardar a coleção de jóias privada do rei. Foi desenhada pelo mais famoso arquiteto da época, Henry Yevele, toda feita de pedras trazidas em 98 barcos de maidstone para o local. A torre é aberta para visitação pública mas não fomos lá.É fácil falar que vimos tantas coisas. Na realidade pude medir em palmos o que andamos no mapa de Londres. 

Jewel Tower, sobrevivente do palácio velho.
Portões e grades do palácio.
Um poste lindo.

Westbourne Grove Church.
É fácil falar que vimos tantas coisas. Na realidade pude medir em palmos no mapa de Londres o que andamos nesse dia. 

De repente pensamos – por que não voltar para casa? Uma casa em Londres. Em Portobello, em Notting Hill. Uma sensação de bem estar, de não ser estrangeira, de compartilhar a vida dessa cidade efeverscente e acolhedora. Tínhamos ambos um passe para o metrô e não precisávamos comprar um novo. Vamos para casa? Que estranha frase num país estranho. Aconselho todos vocês a fazerem o mesmo e procurarem um lugar que passe a ser seu lar por alguns dias, onde você possa se sentir à vontade, tirar os sapatos, ouvir música, cozinhar, colocar roupas confortáveis, sentar sem fazer nada.


Claro, saímos ainda para procurar um mercado e comprar comida. No caminho, uma igreja, no coração de Notting Hill, em Westbourne Grove.
Westbourne Grove.
Esse mercado era bem perto. Fizemos como os londrinos e compramos comida para aquele dia. Filé mignon que sempre quis fazer para Jan e nunca achei em Portugal. Fogão elétrico, nunca vi tão rápido, quase que queimava o filé. Filé com pasta só na manteiga e queijo parmesão!














No meio do caminho, quase em frente de nossa casa londrina, também tinha um belo carro um Jaguar. Tiramos uma foto e mandamos para Recife, falando que tínhamos alugado esse carro. 
Depois desse jantar, de muita conversa, de muitas risadas, de tanto bem estar, o sono lhe pega pesado, sem sonhos, sem demora.
No dia seguinte você está pronta, esperando o cheiro de café (Jan faz o café, brasileiro, comprado no free shop, numa cafeteira italiana) e pensando qual vai ser o program do dia, que é sempre maior do que o que realmente é feito.



Não sou mais turista, mas uma habitante de Londres, e não temos mais as ganas de andar, visitar, ver, anotar, perder tempo, colecionar informações inúteis.

Tão melhor caminhar, sentir a vida da cidade, parar, absorver a beleza, descansar e na realidade fazer desse turismo uma diversão e um prazer.
Jan em nossa casa esperando o jantar.


Fotos como apêndice do Westminster Palace e de sua localização geográfica em relação ao rio Tâmisa, da Jewel Tower e sua posição em relação ao atual palácio.
Também uma pintura de Joseph Mallord William Turner, pintor ro6antico inglês, que assistiu o incêndio da maior parte do palácio original, em 16 de outubro de 1834. Sobreviveram apenas o Westminater Hall, a Torre das Jóias, a cripta da capela de Santo estevão e os claustros. O palácio foi então reconstruído e escolhido o estilo gótico que incorporporava valores conservadores. Foi escolhido o projeto de Charles Barry e a primeira pedra colocada em 1840.
"The Burning of the Houses of Lords and Commons" de 1835 é uma das pinturas de William Turner sobre o incêndio.
Também Claude Monet, pintor impressionista durante três viagens a Londres entre 1889 e 1901 pintou o palácio de Westminster em diferentes condicões de luz, algumas vezes mergulhado na bruma inglesa, chamada de fog. Uma está na national Gallery of Art em Washington D.C. (The Houses of Parliamente, Sunset, 1903) e a outra no Musée d'Osay em Paris (London, Houses of Parliamente - the Sun Shinning through the Fog, 1904).

Houses of Parliament e suas torres.
Jewel Tower e Westminster Palace.
Jewel Tower.
The Burning of the Houses of Lords and Commons, J. M. W. Turner. 


The Houses of Parliamente, Sunset, Claude Monet.

The Sun Shining through the Fog, Claude Monet.




1 - Oh, The grand old Duke of York - https://www.youtube.com/watch?v=iu8nBaxYWoM

2 - Westminster Chimes e badaladas do Big Ben à meia-noite.